Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

 

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
16.08.2007 Dr. Decio Tenenbaum

 

Uma mulher de pouco mais de cinquenta anos, obesa, de aparência cansada e envelhecida, separada e mãe de um filho já rapaz, foi internada para se submeter a uma colecistectomia devido a litíase biliar. Em tom de derrota, contou uma história de perdas e fracassos: largou sua profissão para trabalhar no comércio com o marido, o comércio faliu, o marido a deixou, recomeçou a vida como vendedora, foi assaltada, perdeu tudo novamente e passou a viver, com seu filho, em um quarto alugado na casa de uma amiga. Nunca teve bom relacionamento com seus familiares devido a intrigas e conflitos. Com a vinda para o hospital, seu filho foi morar com o pai, está com a impressão de que a amiga não a quer de volta e não sabe onde irá morar após a alta. Não soube precisar as circunstâncias do seu adoecimento. Disse que as crises de cálculo biliar sempre existiram, mas se tornaram mais freqüentes após o término de seu casamento. Disse também que sempre se ressentiu das pessoas porque sempre sentiu que dava mais do que recebia. Entrou em depressão após a separação conjugal e chegou a tentar contra a própria vida. Ainda hoje pensa na morte e disse não ter medo de morrer na cirurgia.

 

A discussão girou em torno do tipo de trabalho psicológico que o preparo pré-operatório deste tipo de paciente exige. Foi ressaltado o risco de indução iatrogência que a paciente apresentava para a equipe devido aos traços depressivos e paranóides de sua personalidade, e foi comentado que este é mais um caso de síndrome de eutanásia.