Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

 

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
09.08.2007 Dr. Sergio Costa Almeida

Um jovem de pouco mais de vinte anos foi internado para investigação diagnóstica de uma parestesia de membros inferiores. Filho de pai ex-etilista e mãe nervosa, pouco carinhosa e distante, seu irmão mais velho não trabalha e o mais novo sofre de transtorno do pânico. Desde jovem se esforça para sentir-se alguém: serviu o exército “para aprender a ser firme” e começou a trabalhar ainda adolescente. Atualmente trabalha em uma empresa onde começou como servente e hoje é auxiliar de escritório. Quase todo seu salário é utilizado no sustento de sua família. Seu sonho atual é se preparar para prestar vestibular e cursar uma faculdade. Diz ser uma pessoa estressada e há alguns meses começou a sofrer de gastrite após o término de um relacionamento amoroso. Recentemente, começou a sentir dificuldade ao caminhar e procurou assistência médica após um episódio de forte lombalgia. Após percorrer alguns postos de saúde sem nenhuma melhora, uma médica conhecida sua internou-o na Santa Casa. Foi sua primeira internação. Nada foi encontrado nos exames complementares e com o passar do tempo o paciente foi se tornando mais ansioso, querelante e de difícil abordagem. Seu desejo era sair de alta, mas tinha receio de desagradar a médica que havia conseguido a internação. Por outro lado, a internação do paciente foi prolongada para a realização de exames complementares mais sofisticados. O paciente saiu de alta sem diagnóstico e com orientação para dar continuidade à investigação em regime ambulatorial.

 

A discussão centrou-se no caráter iatrogênico da internação do paciente. Os aspectos psicodinâmicos do caso e algumas questões técnicas relativas ao diálogo clínico com pacientes difíceis foram brevemente abordados.