Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

 

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisora
05.07.2007 Dra. Anna Sanders Quental

Uma mulher de quase quarenta anos, solteira e com uma filha pequena, reinternou-se para nova cirurgia de retirada de um tumor de hipófise. Ela mesma dizia que não se cuidava direito, não seguindo o tratamento depois das cirurgias. Desta vez o tumor havia crescido novamente e estava comprimindo o quiasma óptico causando perda parcial da visão de um dos olhos, que pela demora em se operar já era irreversível.

Contou que sua vida foi muito conturbada: era muito revoltada e não gostava de viver por conta da violência do pai e de suas freqüentes traições. Acabou provocando a saída de casa do pai ao mandar a mãe escolher entre ela e ele por não suportar mais a passividade da mãe, que nada fazia em relação às traições do marido. Anos depois o pai morreu assassinado. Sempre se relacionou com homens casados, para fazê-los sofrer e também para fazer as mulheres deles sofrerem como a mãe dela sofreu. Notou que mudou após o nascimento de sua filha, que é fruto de um relacionamento, que não consegue terminar, com um homem casado. Não se dá bem com seu irmão mais velho por achá-lo muito parecido com o pai. Vive com a mãe e a filha. Sustenta as duas e ainda ajuda financeiramente os irmãos.

 

 

A discussão se iniciou pelo exame do elemento principal da psicodinâmica da paciente: o papel central do ódio na vida mental dela. Este ódio, em relação à mãe, pela passividade dela, e em relação ao pai, por suas traições e violência, acabou impedindo-a de estruturar uma experiência edípica, incapacitando-a para a vida afetiva. A culpa inconsciente decorrente deste ódio estava levando a paciente a não se tratar adequadamente, com o risco de acabar impelindo-a buscar, inconscientemente, a morte. Nestas situações, o objetivo da Psicologia Médica é evitar a ocorrência do que Abram Eksterman chama de síndrome de eutanásia.