Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

 

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisora
21.06.2007 Dra. Anna Sanders Quental
Um homem de pouco mais de trinta anos, casado e pai de uma filha pequena, reinternou-se para complementação da retirada cirúrgica de um tumor benigno de hipófise. Órfão de pai há dois anos, e filho único de seus pais, cresceu com mais irmãos por parte de mãe por conta da separação conjugal dos pais quando ainda criança. Relatou uma relação difícil com os familiares. Sente-se rejeitado e maltratado por eles. Acha que a mãe tem nítida preferência por seus irmãos e, mesmo podendo, não o ajuda em nada, nem neste momento de doença. Atribui à inveja de sua capacidade de criar condições de ganhar dinheiro o fato dos irmãos o tratarem mal e mostrou-se revoltado por não receber visita dos familiares. Tenta considerar como sua família apenas a esposa e a filha. Apesar do comportamento dos familiares, está sempre pronto a ajudá-los, o que faz com freqüência e reclamando da falta de reconhecimento deles. Entremeado com suas ansiedades em relação à cirurgia (medo de morrer ou de ficar inválido), revelou sentir-se perseguido e com medo de sofrer algum tipo de violência por parte de um grupo de conhecidos do local onde mora. Chegou a mencionar que colocaram policiais à paisana para vigiá-lo, inclusive na enfermaria. O paciente foi operado com sucesso e recebeu alta poucos dias depois da cirurgia, cujo pós-operatório foi marcado por fortes dores de cabeça.

       

A discussão do caso iniciou-se pelos problemas institucionais referentes ao relacionamento entre as equipes Médica e de Psicologia Médica que interferem na evolução do tratamento, às vezes até no prognóstico, e o papel da interconsulta no atendimento da Psicologia Médica. Em seguida, foram debatidos pontos técnicos relativos ao diálogo clínico e à dinâmica paranóide do paciente. Foi mencionada a relação entre a projeção da agressividade e o aparecimento de idéias e sentimentos persecutórios, e foi apontado o freqüente uso do mecanismo de identificação projetiva nestes casos. Foram também discutidos os aspectos técnicos da abordagem a pacientes com traços paranóides de personalidade e, finalmente, foi lembrada a possibilidade do surgimento de sintomatologia paranóide em casos de tumor de hipófise.

retorna