Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

 

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
03.05.2007 Dr. Decio Tenenbaum

Um homem de 60 anos, em tratamento ambulatorial por ser portador de Doença de Grower, foi encaminhado para acompanhamento psicológico pela equipe de Psicologia Médica associada ao ambulatório de Dermatologia por estar muito ansioso com a demora em melhorar de seus sintomas cutâneos, com suspeitas de estarem escondendo-lhe seu verdadeiro diagnóstico e extremamente insistente e irritadiço com a equipe médica. A relação do paciente com a equipe médica estava num ponto em que um médico já havia desistido de tratá-lo e o segundo estava prestes a também desistir. O paciente, pessoa metódica e detalhista, com necessidade de explicar cada detalhe de tudo que estava lhe acontecendo e com sérias dificuldades em aceitar o término das sessões e até mesmo em ser interrompido, queixava-se de todos e sentia-se muito mal tratado pela equipe de saúde e pelos familiares.

Casado e pai de 2 filhas, há mais de 15 anos deixou de ter qualquer tipo de relação com sua esposa depois que descobriu que ela estava tendo um caso. Com os anos acabou brigando com suas filhas por não aceitar a escolha de namorados que elas faziam. Há vários anos vive praticamente isolado na própria casa. Há quatro anos surgiram os sintomas dermatológicos, sendo o que mais o incomoda é a intensa coceira na área das lesões.

 

A discussão foi iniciada pelo diagnóstico dermatológico: o fato de ser esta uma doença com pequenas e características lesões de pele, mas sem outra especificidade possibilita a hipótese de haver uma relação direta com os mecanismos envolvidos no estresse, tendo como órgão de choque a pele. Este seria mais um caso no qual fica patente a relação entre doença dermatológica e vicissitudes da sexualidade. E, nesse sentido, argumentou-se que a investigação das circunstâncias do surgimento da sintomatologia ocorrido há quatro anos seria muito importante para a compreensão do caso.

Quanto aos elementos psicodinâmicos do caso, foi ressaltado que tanto os aspectos agressivos quanto a intensa ansiedade do paciente ter algo grave estavam relacionados com o desenvolvimento libidinal: a agressividade como expressão do erotismo anal e a ansiedade como sinal de alerta contra a emergência de elementos eróticos edípicos, cuja solução de compromisso era o sintoma de intensa coceira, que funciona como um equivalente masturbatório.

Finalmente, foram discutidos alguns aspectos técnicos envolvidos na abordagem de pacientes difíceis.

retorna