Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

 

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
12.04.2007 Dr. Abram Eksterman

Uma mulher de quase cinquenta anos, viúva e mãe de dois filhos, internou-se com um quadro de dores abdominais e ascite iniciado há dois meses. Foi solicitado atendimento pela equipe de Psicologia Médica associada à enfermaria porque a paciente estava irritada, agressiva, reclamando de tudo e se recusando a tomar a medicação. Não confiava na enfermagem e temia receber alguma medicação errada ou ser contaminada com algum germe e acabar morrendo. Já havia se atritado com quase toda enfermagem e com alguns médicos fazendo com que a equipe começasse a pensar em alta administrativa.
Seu comportamento mudou após receber o diagnóstico de câncer de ovário. Ficou mais tranqüila e pode falar que já suspeitava disso por ter feito cinco abortos na sua juventude. A paciente foi encaminhada para tratamento num hospital especializado.

Após ser dito que o caso apresentado mostrava com nitidez os dois campos de ação da Psicologia Médica: a experiência do paciente com a doença e a experiência da equipe com o paciente, ambas levando ao risco de fracasso terapêutico, abriu-se o debate sobre o quadro psicodinâmico inicial da paciente, francamente esquizo-paranóide e que só cedeu com a notícia do diagnóstico. Sentindo-se inconscientemente perseguida pelos fantasmas dos filhos mortos, projetava o medo de ser morta por estes fantasmas na equipe, o que estava funcionando como uma indução à rejeição (alta administrativa). Em seguida, o tema da morte e suas representações psicológicas foi discutido com profundidade.

retorna