Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisora
08.02.2007 Dra. Anna Sanders Quental

Um homem de pouco mais de cinquenta anos, casado e pai de duas filhas, foi internado para se submeter a uma cirurgia corretiva de hérnia discal cervical. Inicialmente bastante assustado com a cirurgia e nitidamente com medo de morrer ou de ficar inválido, reclamava todo o tempo da demora em ser operado. Saiu bem da cirurgia, mas teve um sangramento inesperado no pós-operatório que o levou a uma segunda cirurgia, da qual saiu tetraplégico e bastante debilitado. Mesmo com o agravamento de seu quadro orgânico e o hospital dispondo de poucos e precários recursos para reverter a situação grave em que se encontrava, o paciente se esforçava para se manter otimista e esperançoso. Informado que seu sangramento deveu-se a estar com o tempo de coagulação muito aumentado, fato desconhecido pela equipe médica devido a um erro no resultado do exame sobre o tempo de coagulação sanguínea, não conseguia responsabilizar ninguém pela situação: encarava o fato como uma fatalidade, apenas um erro da máquina que analisou o material coletado para exame. O paciente faleceu dormindo, alguns dias depois.

O tema da discussão foi a iatropatogenia, cuja prevenção, segundo Abram Eksterman, é o principal objetivo da Psicologia Médica. O primeiro aspecto a ser abordado foi a indução iatrogência provocada pela precariedade do sistema de saúde pública. Em seguida, discutiu-se a indução iatrogência resultante de determinado tipo de psicodinâmica que se estabelece na relação médico-paciente, conhecida comosSíndromeíndrome de eEutanásiautanásia.

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