Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

 

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
07.12.2006 Dr. Sergio Costa Almeida

Um homem de quase 50 anos foi internado devido a um quadro clínico constituído por fortes dores abdominais acompanhadas de diarréia e iniciado há 6 meses. Durante seu longo período de internação, os exames complementares confirmaram a suspeita inicial de tumor maligno de cólon. O paciente foi operado com sucesso e saiu de alta razoavelmente adaptado à colostomia.
O
tema que esteve presente em quase todos atendimentos feitos pelo membro da equipe de Psicologia Médica associada à enfermaria foi o da morte. Além disso, tudo relacionado com a doença (sintomas, exames, procedimentos etc) era vivido como purgação de culpas por más ações cometidas ao longo de sua vida, incluindo algumas mortes. Apesar disso, não se sentia uma má pessoa e sim um justiceiro. Criado por um pai muito violento, procurou ser diferente com os filhos. Sua primeira esposa e seu filho ainda pequeno morreram num acidente automobilístico. Com sua atual esposa tem uma filha adolescente, com quem é muito ligado.

A discussão se iniciou com o exame do forte sentimento de culpa do paciente e da possível relação entre suas experiências passadas com seu pai, a construção de um superego violento e as ações violentas que realizou em sua vida. A partir disso, foi discutido a adequação do objetivo terapêutico que a equipe de Psicologia Médica traçou para este paciente: trabalhar o sentimento de culpa dele com a intenção de diminuir a angústia de morte, o risco de desistência e o risco dele realizar induções iatrogênicas inconscientes na equipe.

A reunião foi encerrada após debater-se sobre a função do diagnóstico fenomenológico e as bases antropológicas da Psicologia Médica.

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