Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

 

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisora
05.10.2006 Dra. Anna Sanders Quental

Um paciente de 25 anos, solteiro, portador de neurofibromatose desde a adolescência, foi internado para retirada de um tumor benigno localizado na medula vertebral. Seu estado de humor era essencialmente queixoso, sempre reclamando que ninguém lhe dava atenção e que todos o evitavam por nojo de sua aparência. Apresentou vários momentos de revolta e desespero, principalmente com a demora da cirurgia e com o fato dos nódulos tumorais, característicos de sua doença, não pararem de aparecer. Precisou ser transferido para outro hospital porque a cirurgia envolvia também a parte óssea e, inicialmente, lá continuou a ser atendido pelo mesmo membro da equipe de Psicologia Médica do CMP que o acompanhava em nosso hospital. Este acompanhamento foi bruscamente interrompido pela chefe do Setor de Psicologia do outro hospital por conta de uma norma lá existente (sic) que não permite o acompanhamento psicológico de pacientes lá internados por profissionais de outra instituição.  

O primeiro tema a ser abordado na discussão foi o processo de auto-estigmatização do paciente, que o afastava das pessoas e induzia o afastamento dos outros. Em relação com este tema, foram também abordados os aspectos contratransferenciais que este tipo de paciente e de doença podem desencadear no terapeuta. Em seguida, discutiu-se as iatrogênias decorrentes da aplicação de normas  que priorizam o aspecto institucional e não o pessoal e relacional.

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