Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

 

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
28.09.2006 Dr. Decio Tenenbaum

Uma mulher de aproximadamente 30 anos, em tratamento ambulatorial de hanseníase e tuberculose, foi internada por ter apresentado uma piora em seu quadro clínico. A paciente também era hipertensa e diabética, como sua mãe. Além de seus problemas de saúde, estava separando-se e havia perdido sua mãe poucos meses. Inicialmente desanimada e desesperançada, mostrou-se refratária ao acompanhamento da Psicologia Médica. Aos poucos contou sua história, revelou a vergonha vergonha de ter sua doença e a tristeza de ter perdido sua mãe, temas sempre presentes em seus atendimentos. Com a melhora do quadro clínico, a paciente recebeu alta para continuar o tratamento ambulatorialmente.

O debate se iniciou com o estabelecimento do objetivo prioritário da Psicologia Médica neste caso: a elaboração dos mitos pessoais sobre seus diagnósticos para diminuir a auto-estigmatização da paciente por ser portadora de hanseníase e tuberculose, motivo de diminuição da sua auto-estima, agravada pelo luto pela perda da mãe. Em seguida, foi ressaltada a semelhança entre o funcionamento do sistema imunológico (mecanismo de defesa orgânico) na hanseníase com os mecanismos de defesa psicológicos nas neuroses: situações nas quais ambos sistemas defensivos atuam inadequadamente, causando problemas e não proteção. A reunião foi encerrada com esclarecimentos sobre os problemas iatrogênicos em se tentar estabelecer uma relação direta entre doença auto-imune e auto-destrutividade, tanto de uma maneira geral quanto específicamente neste caso, onde a dinâmica da paciente estava no registro da vergonha (auto-estima) e não da culpa (destrutividade).

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