Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

 

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
13.07.2006 Dr. Decio Tenenbaum

Uma mulher de quase 60 anos, obesa e de aparência descuidada, foi internada para tratamento cirúrgico de bócio multinodular atóxico de tireóide. Filha de pai alcoólatra, precisou começar a trabalhar muito cedo, ainda criança, como empregada doméstica. Teve apenas 1 filho e está separada de seu segundo marido há muitos anos. Também há muitos anos freqüenta igreja evangélica por ter sido muito “sapeca”, “ter saído muito para vadiar por aí” e “ter feito muita coisa errada”. Hoje tenta ser outra pessoa, mas sente muita falta de companhia masculina. Há dez anos notou aumento de sua glândula tireóide e esta é sua segunda tentativa de operar-se. Já havia se internado anteriormente para submeter-se a essa cirurgia, mas “fugiu”. Relatou também ter “crises” caracterizadas por dificuldades respiratórias e sensação de morte iminente. Chegou à enfermaria muito desconfiada, achando que os médicos não estavam lhe dizendo a verdade e suspeitando de ter algo “maligno”. Ao começar a ser anestesiada apresentou dificuldades respiratórias e a cirurgia foi suspensa. Duas  semanas depois conseguiu ser operada com sucesso e o pós-operatório transcorreu sem problemas e quase sem dor.

Inicialmente, discutiu-se quais seriam os objetivos da Psicologia Médica no pré-operatório. Em seguida, como aplicar esses objetivos nessa pessoa cujo dinâmica mental caracterizava-se por fantasias terroríficas, intensa angústia relacionada com fantasias sexuais não elaboradas e culpabilizantes, cujo castigo imaginado era a morte, daí o medo de morrer, a fuga da cirurgia anterior e a crise na preparação pré-operatória. Finalmente, debateu-se quais seriam as características de um diálogo clínico eficaz com essa paciente cheia de segredos e malignidades dentro dela, regredida e por vezes confusa ao falar.

retorna