Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

 

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisora
29.06.2006 Dra. Anna Sanders Quental

Uma mulher de quase 60 anos foi internada com insuficiência cardíaca congestiva grave e descompensada. Nasceu com uma mal formação em um dos membros inferiores e outra no coração. Permaneceu internada durante quatro anos de sua infância para submeter-se a várias cirurgias para correção do defeito ortopédico, mas nunca aceitou ser operada para corrigir o problema cardíaco por temer morrer na cirurgia, como ocorreu com seu pai quando ainda era criança. Devido à doença cardíaca, é magra, franzina, não parecendo ter a idade que tem. Surpreendentemente, ultrapassou a média de vida dos portadores de sua condição cardíaca congênita, que é de duas a três décadas de vida. No momento, seu caso não pode mais ser resolvido cirurgicamente e sua doença já está muito avançada, praticamente fora de condições terapêuticas. Além de apresentar freqüentes episódios de hemoptise, fica dispnêica aos mínimos esforços, o que tem limitado muito sua vida. Casada duas vezes, teve apenas uma filha que faleceu de câncer uterino há quatro anos. Perdeu a mãe há três anos.

A discussão do caso foi inicada pelo esmiuçamento das experiências de vida da paciente, todas envolvendo muito sofrimento físico e perdas afetivas importantes. Em seguida, foi assinalado que a internação atual poderia estar sendo vivida como uma repetição da internação ocorrida na infância. Finalmente, discutiu-se a necessidade de se ajudar os pacientes terminais a se despedirem da vida e a comum dificuldade dos profissionais de saúde fazerem este trabalho. Ressaltou-se que isso se deve, em grande medida, à dificuldade que todos temos em pensar na própria morte, o que sempre acontece quando lidamos com a morte de alguém.

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