Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

 

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisora
20.04.2006 Dra. Anna Sanders Quental

Um homem com mais de 50 anos, casado há mais de 30 anos, bastante emagrecido, internou-se devido a um quadro de insuficiência cardíaca congestiva descompensada. Diabético, hipertenso e alcoólatra de longa data. Por nunca ter seguido um tratamento adequadamente, já apresentava retinopatia diabética e insuficiência renal crônica. Contou que a diabete apareceu após perder a filha, de 24 anos, com câncer. Nos atendimentos, falava como um malandro, fazendo graça de tudo e sempre contando uma piada; dizia não se arrepender de nada do que fez. Apesar deste comportamento, demostrava um certo receio em sair de alta por temer não se cuidar adequadamente em casa, onde a esposa ou a mãe sempre faziam comidas que não podia comer.

A discussão girou em torno da dificuldade em se atender um paciente com este tipo de funcionamento mental, no qual predominava a defesa maníaca. O livro de Michael Balint “Thrills and Regressions” foi lembrado por justamente desenvolver uma maior compreensão sobre certos estados mentais que misturam excitação, medo e regressão, e que estão presentes em pacientes que apresentam dificuldade em se deparar com a gravidade seu estado de saúde.
Falou-se sobre a especificidade do diálogo clínico neste caso, que estaria ligada ao objetivo da Psicologia Médica de otimizar o tratamento clínico trazendo o paciente para o compromisso terapêutico. Foram citados alguns elementos psicológicos que, quando presentes no campo terapêutico, tanto por parte da equipe quanto do paciente, costumam atrapalhar, às vezes impedir, o tratamento clínico: transferências não resolvidas, agressividade, masoquismo, induções iatrogênicas, falta de apoio familiar etc)

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