Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

 

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisora
16.03.2006 Dra. Anna Sanders Quental

Uma senhora de 58 anos, casada, gesta 7 para 4, foi internada por apresentar episódios de síncope, crises convulsivas e hemiparesia à esquerda. Permaneceu internada por, aproximadamente, um mês, durante o qual foi-lhe diagnosticado um carcinoma metastático, localizado no hemisfério cerebral direito, entre os lobos occiptal, temporal e parietal. Durante seu acompanhamento por um dos membros da equipe de Psicologia Médica associada à enfermaria, a paciente demostrou ser numa pessoa cheia de ressentimentos e de queixas de seus familiares, sempre com comentários dissimuladamente agressivos e vendo maldade em tudo, até naquilo que era feito para lhe ajudar. Tinha uma interpretação bastante pessoal e peculiar sobre a sua doença: achava que o tumor era resultante da invasão do seu cérebro por um bicho através de seu ouvido. Além disso, em outros momentos, estabeleceu associações entre eventos que aparentemente não tinham nada em comum.
A cirurgia foi realizada com sucesso e houve remissão da sintomatologia da paciente, a qual foi encaminhada para um hospital de oncologia para pesquisar a localização do tumor de origem. Seu prognóstico é reservado.

A discussão se iniciou ressaltando-se a dificuldade em se acompanhar uma paciente como essa, com uma grande hostilidade e uma maneira paranóide de viver a vida. Em seguida, discutiu-se se as interpretações peculiares da paciente seriam delirantes ou deliróides e foi sugerido que a melhor maneira de se lidar com esse tipo de material é não se preocupar tanto com o que a paciente tem, mas quem a paciente é, e abrir espaço de diálogo para a paciente poder falar mais sobre essas idéias. Isso fortalece o vínculo terapêutico, facilita a integração dos aspectos dissociados da mente e diminui a intensidade das fantasias, o que irá diminuir as tensões pré-operatórias.

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