Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

 

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisora
15.09.2005 Dra. Anna Sanders Quental

Uma mulher de 48 anos, natural do sertão nordestino, foi internada para avaliação clínica e preparação para cirurgia de troca de válvula mitral em outro hospital. Teve febre reumática na infância e fez a primeira cirurgia de troca valvular aos 20 anos, quando já apresentava quadro clínico de insuficiência valvular avançado. Órfã de mãe aos 14 anos, não conheceu o pai, que morreu antes dela nascer. Casou-se aos 15 anos e teve 3 filhos. Os dois mais velhos morreram quando ainda crianças devido a doenças infecciosas. Veio para o Rio há mais de 20 anos e sua única filha saiu de casa quando com 14 anos. Desde então quase não se falam, sendo que a paciente guarda um forte ressentimento em relação ao comportamento da filha para com ela.

A discussão foi inicada ressaltando-se a história de perdas precoces da paciente e seu humor depressivo-culposo, provavelmente relacionado com sentimentos hostis não elaborados.
Discutindo-se o objetivo da Psicologia Médica neste caso, argumentou-se que, embora a paciente venha fazendo acompanhamento regular do seu problema médico, demonstrou ter pouca consciência de doença, em virtude de ainda esperar ser curada. Foi assinalado que, ao manter essa expectativa, a paciente não se prepara adequadamente para a situação de dependência que provavelmente viverá num futuro próximo, pois é portadora de uma doença crônica e incapacitante, que costuma evoluir para esse tipo de situação. Nesse sentido, a péssima relação existente entre a paciente e sua única filha é um fator complicador que demanda um maior acompanhamento psicológico.

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