Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

 

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisora
11.08.2005 Dra. Anna Sanders Quental

Um homem de pouco mais de 30 anos, casado e pai de dois filhos, reinternou-se um ano após sua primeira internação para submeter-se a uma nova cirurgia de retirada de um tumor hipofisário, benigno, mas com alta freqüência de recidiva. Esta segunda internação foi muito breve por ter sido feito ambulatorialmente o preparo pré-operatório. Em seu primeiro atendimento psicológico, o paciente contou uma situação da qual se sentia culpado e que mantinha em segredo, como se estivesse testando a confiabilidade da terapeuta. Nos demais quatro atendimentos que teve pôde falar de sua infância complicada por ser filho ilegítimo e sobre sua situação atual, bastante complicada por conta de sua doença. Saiu bem da cirurgia e, recentemente, oito meses depois da última internação, teve que reinternar-se e submeter-se a outra cirurgia devido a nova recidiva do tumor. Voltou a ser acompanhado pela mesma psicóloga, com quem estabeleu um bom vínculo terapêutico.

O caso apresentado serviu para discutir-se com profundidade as especificidades do trabalho de Psicologia Médica que é realizado pelo C.M.P. e diferenciá-lo dos atendimentos psicológicos que costumam ser realizados em hospitais e da psicanálise, que também tem sido utilizada em hospitais. Foi lembrado ainda o conceito de espaço de segurança, que o paciente parece ter perdido abruptamente ao descobrir sua ilegitimidade. A falta desse “espaço” está ligada às dificuldades em se estabelecer relações de confiança e a importância do estabelecimento do vínculo terapêutico está na recriação desse “espaço”.

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