Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

 

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisora
07.07.2005 Dra. Anna Sanders Quental

Um rapaz de 15 anos, portador de cardiomiopatia dilatada, veio transferido de outro hospital para averiguação de possível hipertireoidismo concomitante. Caso grave, com pouquíssimas chances de sobrevivência, seu atendimento mobilizou a equipe, principalmente por causa do comportamento pouco atencioso e querelante da mãe, potencialmente capaz de induzir rejeição ou outros comportamentos e condutas iatrogênicas. Foi resolvido pela equipe de Psicologia Médica associada à enfermaria que ambos teriam acompanhamento psicológico.
O paciente ficou internado por mais de um mês e, por todo o tempo, sua mãe se queixou do tratamento a ele dispensado. Inicialmente mostrou-se pouco disposta, mas acabou aceitando o atendimento, durante o qual ficou-se sabendo que ela já havia perdido uma filha, a irmã gêmea do paciente. A menina morreu de crupe (difteria) aos 4 meses de idade. A mãe teve vários sonhos com esta filha durante seu acompanhamento e chegou a falar que preferia que tivesse sido o filho a morrer no lugar da menina. Desde esta época afastou-se do filho, que foi criado pelos avós. Por outro lado, na enfermaria não conseguia afastar-se do filho para nada, nem quando ele era atendido pelo membro da equipe de Psicologia Médica. A morte do filho foi por ela vivida como um assassinato médico.
Por sua vez, o paciente mostrou-se muito contido em suas queixas e reclamações. Só quando ficou a sós com seu terapeuta é que pôde expressar plenamente seu ódio e seu ressentimento para com sua mãe. Em muitos momentos mostrou-se culpado pelos seus sentimentos em relação a ela e era quando vivia a doença como um castigo.

Em virtude do adiantado da hora, afinal foram apresentados dois atendimentos, a discussão ficou limitada às questões técnicas. Discutiu-se o tipo de diálogo que houve entre o terapeuta e o paciente e a necessidade de se atender aos adolescentes sozinhos, principalmente neste caso em que o paciente precisava elaborar a difícil relação que tinha com sua mãe. Em relação à privacidade, foram lembradas as seguintes  dificuldades: ausência de local reservado na enfermaria, impossibilidade de locomoção do paciente e  receio de que a insistência com a mãe sobre esse assunto pudesse aumentar as dificuldades da mesma com a equipe.

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