Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

 

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
19.05.2005 Dr. Decio Tenenbaum

Uma moça de 19 anos foi internada para averiguação diagnóstica e tratamento de uma ferida em uma de suas pernas. Esteve internada por 4 meses perto de sua cidade natal com o diagnóstico de leishmaniose, mas cujo tratamento, que incluiu uma tentativa de enxerto homólogo, foi ineficaz. Por esta razão veio para o Rio, onde seu pai reside com sua atual esposa. Acompanhada por ele em sua internação, estava chorosa e com dificuldade em aceitá-la por medo de ter que ficar internada muito tempo.
Manteve este estado de ânimo por toda a primeira semana de internação e teve muita dificuldade em se relacionar com a equipe da enfermaria neste período. Com a continuidade dos atendimentos, contou que conheceu um rapaz de quem engravidou aos 15 anos e com quem morou por 2 anos. Após o início de sua doença seu companheiro mudou de comportamento, passando a não voltar mais para casa todos os dias, até que saiu definitivamente de casa. Com isso ela voltou a viver com sua mãe e seu irmão mais moço. Nesta mesma época seu pai veio para o Rio de Janeiro trabalhar, e como ela mesmo disse saber que iria acontecer, acabou constituindo nova família “deixando ela, a mãe e o irmão para trás”. Está morando com o pai e sua segunda esposa desde dezembro do
ano passado.
O diagnóstico anterior de leishmaniose acabou sendo afastado, assim como foram afastadas as possibilidades de câncer, de problemas circulatórios e de AIDS. Está-se pesquisando a possibilidade de auto-mutilação. A paciente começou a aceitar o fato de que teria de ficar internada por mais tempo, o relacionamento com a equipe melhorou e, no momento continua internada em pesquisa diagnóstica

A discussão desenvolveu-se a partir da constatação de que as circunstâncias do adoecimento da paciente envolveram uma maternidade precoce, a separação do pai e a própria separação do namorado. Também foi ressaltada a relação ambivalente da paciente com a mãe. Algumas hipóteses quanto à possibilidade de auto-mutilação foram levantadas e apontou-se como importante fator emocional envolvido no caso a possibilidade da doença ser uma justificativa inconsciente para a paciente se manter, no mínimo há 3 anos, afastada da mãe e do filho.

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