Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

 

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisor
07.04.2005 Dr. Giorgio Trotto

Uma jovem mulher de menos de 30 anos, portadora de doença de Parkinson, foi internada para investigar porque o tratamento ambulatorial não estava surtindo o efeito esperado. Havia fortes suspeitas de que ela não estava seguindo as orientações devidamente. Mostrou-se inicialmente muito resistente ao acompanhamento psicológico feito por um membro da equipe de Psicologia Médica do CMP associada à enfermaria, que logo constatou a difícil relação entre mãe e filha. As duas pareciam formar uma dupla que se complementava: enquanto a mãe era uma pessoa dominadora e excessivamente presente, chegando até a interferir nas consultas e no tratamento, a filha parecia não se interessar por nada. Quanto mais a filha não reagia ao tratamento, mais a mãe reclamava do esforço que era para ela “carregar” a filha para tudo.
Embora a paciente começasse a dar sinais de melhora, a idéia da cirurgia surgiu sem saber-se direito se a partir da mãe ou da filha. Contrariamente à orientação do médico assistente a paciente submeteu-se a duas cirurgias num período de três meses, ambas com sucesso bastante relativo: a primeira deixou-a assintomática por dois meses, depois do que a paciente apresentou um forte rebote sintomatológico, e a segunda cirurgia quase nada conseguiu remitir da sintomatologia.
Muito embora a paciente estivesse começando lentamente a dar sinais de adesão ao acompanhamento psicológico, acabou sendo encaminhada para outra instituição onde lhe foi indicado acompanhamento familiar, o qual a paciente nunca aceitou e não comparece às consultas, enquanto que a mãe o freqüenta com assiduidade com o pai e está gostando muito.
Recentemente, a paciente acabou voltando a fazer tratamento ambulatorial em nosso hospital e conjectura-se sobre a possibilidade dela voltar também ao acompanhamento psicológico.

Partindo-se da premissa de que o objetivo da Psicologia Médica com esta paciente seria aumentar a adesão dela ao tratamento, discutiu-se com profunidade como isto poderia ter sido feito. A compreensão psicodinâmica do caso evidenciou a forte presença mental de uma mãe ambivalente, inconscientemente filicida, e uma intensa culpa edípica, que se expressava por um atitudes inconscientes de indução iatrogência em relação à equipe, a qual não conseguiu evitar de reagir de acordo com o que lhe era induzido e assim realizou cirurgias de indicações discutíveis e encaminhou a paciente para tratamento psicológico em outra instituição.

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