Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

 

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisora
27.01.2005 Dra. Anna Sanders Quental

Uma mulher de 44 anos, casada, mãe de duas filhas, foi internada com intenso tremor, rigidez em seus quatro membros, dificuldades na deglutição e fala arrastada. Portadora de mal de Parkinson desde os 28 anos, foi internada para se submeter a neurocirurgia para diminuição da sintomatologia no dimídio direito, sendo que há 7 anos atrás submeteu-se à mesma ciururgia para diminuição da sintomatologia do lado esquerdo.
Acompanhada por um membro da unidade de Psicologia Médica do C.M.P. associada à equipe desta enfermaria, a paciente, inicialmente, não queria operar-se. Dizia estar sendo pressionada pelos familiares a se operar, sentia-se um peso para eles, achava que eles não estavam mais agüentando cuidar dela e, com muita facilidade, sentia-se abondonada, chegando a dizer que a filha que a estava acompanhando na enfermaria não devia gostar dela por estar conversando com outras pacientes. Revoltada com sua doença, dizia ter perdido tudo que tinha de bom na vida: sua juventude, sua beleza e a maternidade, pois não conseguiu ser mãe de suas filhas. Após um mes a paciente conseguiu aceitar ser operada e a cirurgia transcorreu sem complicações e foi um sucesso. A paciente recebeu alta com significativa melhora sintomatológica e orientada a continuar seu acompanhamento em regime ambulatorial. Já conseguiu vir andando à primeira consulta após a cirurgia.

A discussão foi iniciada assinalando-se que as doença crônicas costumam ser utilizadas pelos pacientes como justificativa para tudo. Assim, a paciente sentia-se plenamente justificada na sua postura de vitima, na sua desmedida exigência de atenção e na sua má-vontade com seus acompanhantes. Mesmo recebendo a atenção e o cuidado de seus familiares e da equipe de saúde, a paciente via rejeição em tudo e não se dava conta que sua postura com certeza acabaria induzindo as pessoas a se afastarem dela, fechando o círculo vicioso da vitimização.
Evidenciando-se o componente narcísico da personalidade da paciente, discutiu-se amplamente o tema da ferida narcísica decorrente de doenças crônicas.
Encerrou-se a discussão com a tema da dinâmica familiar de pacientes com doença crônica.

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