Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisora
16.09.2004 Dra. Anna Sanders Quental

Uma jovem foi internada para avaliação de uma paraplegia posterior à lesão de coluna lombar. Constatada a compressão medular por estilhaços ósseos localizados no canal medular, e mesmo com ínfimas chances de recuperação devido ao tempo transcorrido, a equipe resolveu operar a paciente para descompressão medular e diminuição da sintomatologia álgica. A cirurgia foi realizada com sucesso e, como previsto, houve apenas uma leve recuperação da força muscular.
Devido ao clima muito tenso, dissimuladamente agressivo, entre a paciente e sua mãe, que a acompanhava na internação, foi indicado atendimento psicológico a ambas, realizados por dois profissionais diferentes da equipe de Psicologia Médica associada à enfermaria. A paciente apresentava inúmeras queixas e acusações de maus tratos da mãe e uma relação muito próxima com o pai, enquanto que a mãe, por seu lado, sentia-se culpada por não ter conseguido evitar o acidente e nutria uma raiva da filha por esta não seguir seus conselhos.

Discutido o jogo de identificações projetivas cruzadas entre a paciente e sua mãe por conta do ódio recíproco, foi ressaltada a importância de se desfazer esta situação psicológica por ser ela um complicador para a continuidade do tratamento desta paciente, que irá precisar de um longo acompanhamento médico e fisioterápico e precisará contar com e aceitar o apoio de sua mãe para realizá-lo. Se este clima regressivo não puder ser expresso e razoavelmente elaborado (individualmente), um quadro depressivo grave poderá sobrevir neste grupo familiar comprometendo todo o tratamento.

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