Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Resumo de Reunião Clínica
 
 Data Supervisora
05.08.2004 Dra. Anna Sanders Quental

Uma mulher de 68 anos, diabética, aposentada e viúva, sofreu um infarto agudo do miocárdio logo após assistir a uma missa quando em viagem de passeio a uma cidadezinha do interior e lá ficou internada por 5 dias até poder ser transferida para o Rio. Achava que foi o calor que a fez passar mal. Veio ao hospital para avaliação cardiológica e precisou ser imediatamente internada. Ficou mais ou menos um mês na enfermaria e teve 16 sessões com um dos membros da unidade de Psicologia Médica do C.M.P. integrada à equipe desta enfermaria. Inicialmente dócil e com o humor tendendo ao polo depressivo, seu relato girou em torno de suas “tristezas”, as perdas que teve em sua vida: os pais, o marido e, há 4 anos, sua filha. Parecia não ter-se refeito de nenhuma destas perdas, principalmente a da filha, falecida aos 44 anos. Achava que o infarto deveu-se a essas perdas que lhe “apertam o coração”. Perdeu a mãe cedo e foi criada pelo pai e por uma tia. O pai bebia muito como o marido, também morto. Ao surgir a possibilidade dela ter que se submeter a uma angioplastia, fica com medo de se operar e passa a querer ir embora do hospital. Seu estado de humor vai ficando irritadiço e algo desconfiado, reclamando de quase tudo: de estar internada, da medicação, dos exames e, principalmente, da dieta que estava começando a fazer. Ansiosa para voltar para casa, diz que lá não fará a dieta de forma tão rigorosa. A cirurgia não se fez necessária e, ao receber alta, a paciente concorda que seria melhor levar um vida “mais leve” e conta como será sua fantasia para o próximo carnaval.

Na discussão foram levantadas algumas hipóteses sobre o estado de humor depressivo da paciente, indubitavelmente ligado às suas perdas, principalmente a de sua filha. Ficou-se em dúvida se seria um quadro de luto patológico relacionado à morte da filha ou se o quadro depressivo seria anterior a esta perda e por ela exacerbado.
Sobre o acompanhamento psicológico em si, foi ressaltado a pouca disponibilidade da paciente, habilmente conduzida pela terapeuta.

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