Resumo da Reunião Clínica
 

Uma mulher de pouco mais de 50 anos, solteira, atualmente desempregada, filha única de seus pais, mas com 2 irmãs do 1° casamento da mãe, bem mais velhas e distantes, iniciou recentemente um acompanhamento clínico em regime ambulatorial ao começar a apresentar picos hipertensivos. Foi encaminhada ao ambulatório de Psicologia Médica pelo médico assistente quando este soube que seu sintoma surgiu há poucos meses, quando pediu demissão de seu emprego para cuidar de seu pai, que acabara de sofrer um acidente vascular cerebral.
A paciente sempre morou com os pais, de quem tem muitas queixas, porque viviam praticamente para eles mesmos, sem dar atenção às filhas (SIC). Apesar disso, cuidou de sua mãe durante o início da sua vida adulta e só começou a trabalhar e a sentir ter uma vida própria há pouco mais de 10 anos, após o falecimento dela.
A paciente permaneceu aproximadamente 2 meses em tratamento, interrompendo-o quando conseguiu diminuir o medo e a culpa do pai vir a falecer por ela não estar em casa cuidando dele o tempo todo.

O caso foi considerado ilustrativo por evidenciar a relação entre a hipertensão arterial e a agressividade/destrutividade, que neste caso estava relacionada ao conflito inconsciente vivido pela paciente em decorrência da sua ambivalência edípica, e que a colocava em uma situação psicológica sem saída: ou ela matava sua vida renunciando a tudo ou ela matava o pai.
Em seguida, foi ressaltado que o objetivo terapêutico com essa paciente foi diminuir os riscos psicogênicos inerentes à situação psicodinâmica da paciente descrita acima e relacionados com a intensidade dos impulsos destrutivos decorrentes do conflito ambivalente. Essa situação psicodinâmica poderia levar a algum ato suicida impulsivo ou a algum tipo de acidente circulatório em uma irrupção de ódio coarctado ou, então, a um aumento dos sentimentos inconscientes de culpa com a busca inconsciente de situações expiatórias.