Resumo de Reunião Clínica
 

Um homem de pouco mais de quarenta anos, portador de AIDS, iniciou acompanhamento psicológico ambulatorial após sua terceira internação. Demonstrava grande dificuldade em aceitar sua doença, culpando sua ex-esposa por tudo que estava lhe acontecendo. Assim, disse que seus problemas se iniciaram depois que dela se separou, pois ainda não aceitou o fato de ter sido traído por ela depois que sofreu um acidente automobilístico em decorrência do rompimento de um aneurisma cerebral. Contou que, inicialmente, a equipe médica achou que o acidente fora devido a uso de drogas e comunicou isso a sua esposa. A partir desse momento, a esposa achou que ele se tornaria impotente e começou a traí-lo, o que levou à separação conjugal. O paciente diz que foi a partir daí que passou a fazer uso de drogas e acabou se contaminando pelo HIV. Desde então sua vida só tem piorado, perdeu seu emprego, não consegue mais se empregar e se relacionar com mulheres devido ao estigma de sua doença. Nutre um profundo sentimento de autodestruição.

Inicialmente, foram discutidas as características psicopatológicas do paciente: o esforço em esconder sua homossexualidade através de uma história pouco verossímil sobre sua separação e adoecimento graças ao emprego do mecanismo de defesa da recusa (verleugnung). Fazendo-se a distinção entre o trabalho psicanalítico e o da psicologia médica, também foram discutidas as possíveis abordagens psicoterápicas a esse paciente.

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