Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Sadismo e masoquismo
 

Definição
Formas de satisfação sexual vinculadas ao sofrimento, físico ou psíquico, da própria pessoa (masoquismo) ou de outrém (sadismo).

Histórico
Richard Fridolin Joseph von Kafft-Ebing (1840-1902), médico psiquiatra, foi o primeiro a se dedicar à pesquisa científica completa sobre as ditas anomalias sexuais, as quais classificava em dois grupos: aquelas ligadas ao objeto (homossexualismo, fetichismo, etc.) e as relacionadas com a finalidade (sadismo, masoquismo, etc.). Estes dois termos foram cunhados por este autor em homenagem ao Marquês de Sade e a Leopold von Sacher Masoch, pessoas conhecidas como praticantes e propagadores dos prazeres do sofrimento alheio e de si mesmo, respectivamente.
Como todos os conceitos relacionados com a agressividade, estes dois também sofreram uma evolução dentro da teoria psicanalítica. Inicialmente, o sadismo era entendido como decorrente da associação do impulso de dominação com a sexualidade, tendo como alvo o domínio do objeto pela violência (física ou psíquica). Em 1915, no artigo “Os Instintos e suas Vicissitudes” (Edição Standard da Obra Psicológica Completa de Sigmund Freud, vol. XIV, Ed. Imago, R.J.), Freud conceitua que masoquismo é a reversão do sadismo contra a própria pessoa.
Mais do que o sadismo, o masoquismo sempre foi um grande desafio teórico para Freud, pois se coloca em contradição absoluta com sua proposta de que a vida mental busca alívio, redução das tensões existentes dentro do sistema, tudo de acordo com o seu principio do prazer. Com a introdução da pulsão de morte, e a conseqüente assunção de um impulso destrutivo inato, Freud inverte sua posição e passa a considerar o masoquismo como primário, o momento em que a pulsão de morte está voltada contra o próprio indivíduo, cabendo à libido desviá-la para o mundo externo.  Como este desvio da pulsão de morte para o exterior não é total, resta sempre uma cota de pulsão de morte no interior do organismo, que ao se ligar à libido dá origem ao masoquismo primário ou erógeno. Ao voltar-se contra a própria pessoa, o sadismo (fusão da pulsão de morte com a libido, mas voltada para o exterior) dá origem ao masoquismo secundário. Em 1924, no artigo “O Problema econômico do masoquismo” (Edição Standard da Obra Psicológica Completa de Sigmund Freud, vol. XIX, Ed. Imago, R.J.), Freud distingüe três tipos de masoquismo: o erógeno, o feminino e o moral.
O masoquismo erógeno, já descrito, consiste no prazer da dor, representa um modo de excitação sexual e acompanha o desenvolvimento da libido assumindo formas específicas em cada um dos estágios do desenvolvimento desta. O masoquismo feminino é bem descrito por Freud em seu texto “Uma criança é espancada – Uma contribuição ao estudo da origem das perversões sexuais” (Edição Standard da Obra Psicológica Completa de Sigmund Freud, vol. XVII, Ed. Imago, R.J.). Finalmente, o masoquismo moral é a base do sentimento de culpa.

retorna