Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

 

Fetiche
 

1- Definição:
Objeto animado ou inanimado, criado pelo homem ou pela natureza, utilizado, por vezes cultuado, como substituto de uma pessoa, de uma função de uma pessoa ou até de uma parte (órgão ou sistema) de uma pessoa. 

2- Histórico
Este tema foi estudado por Freud em dois momentos: nos artigos “Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade” e “Fetichismo” (Edição Standard das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, vols.VII e XXI; Ed. Imago, R.J.). Em ambos, o fetiche foi abordado inserido no tema da sexualidade e na sua utilização como equivalente simbólico do pênis feminino. Nesse sentido, o fetiche é o objeto concreto e real que ajuda alguns homens a lidar com a angústia de castração desencadeada pela percepção da ausência de pênis na mulher. Ainda relacionado com o tema, Freud também descreveu a verleugnung (recusa), mecanismo de defesa que torna possível a mente funcionar sabendo de algo e, mesmo assim, ao mesmo tempo, funcionar como se não soubesse.
A partir desses estudos iniciais de Freud surgiram duas linhas de pesquisa. Jaques Lacan (1901-1981) e seus discípulos tentaram relacionar direta e exclusivamente a verleugnung com os quadros clínicos de perversão. Por outro lado, e também baseando-se nos escritos de Freud, vários autores demonstraram o uso bem mais amplo da verleugnung e dos fetiches. Aproximando o fetiche do amuleto, Decio Tenenbaum fala da função desses objetos mágicos de defender a representação de si mesmo ameaçada por um determinado conhecimento.(“O Leito número 5”)

3- Clínica:
Na clínica podemos observar a ampla utilização, não restrita à sexualidade, desses objetos como substitutos daquilo que não se consegue simbolizar. É a incapacidade de abstração e de simbolização, funções do ego, que engendra a necessidade deste tipo objeto.

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