Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

 

Falha Básica
 

Definição
Termo cunhado por Michael Balint (1896-1970), para designar a discrepância entre as necessidades bio-psicológicas do bebê na época de formação do ego e o cuidado, a atenção e a afeição, material e psicológica, recebida nesta época dos responsáveis pela criança.

Histórico
Michael Balint nasceu em Budapeste em 1896, formou-se em Medicina, fez análise inicialmente com Hanns Sachs (1881-1947) e posteriormente com Sandor Ferenczi (1873-1933). Em 1939, o anti-semitismo crescente na Hungria o levou a emigrar para a Inglaterra. Pode-se dizer que por toda sua vida dedicou-se ao estudo das relações humanas mais significativas: as relações iniciais e a relação médico-paciente. Foi o criador dos grupos realizados com médicos e destinados ao exame da tarefa clínica, os quais ficaram conhecidos como “Grupos Balint”. Em 1968 escreveu o livro “The Basic Fault” no qual desenvolve suas idéias a respeito das primeiras relações objetais ou relações primárias. Discordando de Freud, Balint postula que o ego busca relações objetais e não satisfação pulsional e que o bebê se relaciona com o ambiente desde o início. Estas relações primitivas são por ele denominadas de “primary love”, que pode ser traduzido como amor primário, principal ou fundamental. Suas observações o levaram a propor que, por não serem bem definidas as fronteiras entre o bebê e o ambiente, ambiente e indivíduo se interpenetram formando um sistema. As desarmonias neste sistema, que Balint chamou de “basic fault”, têm repercussões diretas na estruturação dos padrões de relacionamento do indivíduo. 

Clínica
A observação clínica das conseqüências das falhas básicas na organização mental levou Balint a propor dois padrões fundamentais de relacionamento com o ambiente: o ocnofílico e o filobático. Segundo o autor, a reação ocnofílica à emergência do objeto é se grudar nele, introjetá-lo, sentir-se perdido e inseguro sem ele, enquanto que a reação filobática é desenvolver aptidões egóicas e habilidades pessoais no sentido de se tornar capaz de viver sem necessitar do objeto.

Bibliografia do autor:
Primary Love and Psycho-analytic Technique; London, 1952.
Problems of Human Pleasure and the Behaviour; London, 1957.
Thrills and Regression; The Hogarth Press, London, 1959.
Psychotherapeutic Techniques in Medicine; Tavistock publications, London, 1961.
A Study of Doctors; London, 1966.
Basic Fault; Tavistock publications, London, 1968.
Treatment or Diagnosis. A study of repeat prescriptions in general practice; Tavistock publications, London, 1970.
O Médico, Seu Paciente e a Doença; Livraria Atheneu, R.J., 1988.

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