Centro de Medicina Psicossomática e Psicologia Médica
Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro

Complexo de Édipo

 

Definição
Conjunto organizado de desejos amorosos e hostis que a criança experimenta em relação aos pais. Apresenta-se
em duas formas: a positiva, composta pelo desejo de morte do genitor do mesmo sexo (rival) e pelo desejo sexual
em relação ao genitor de sexo oposto; e a forma negativa, que abriga o amor pelo genitor do mesmo sexo e ódio
ciumento em relação ao genitor do sexo oposto. Estas duas formas encontram-se em diferentes graus na
chamada forma completa do complexo de Édipo.

Histórico
Fruto direto da auto-análise de Freud, que em 15 de outubro de 1897 escreveu a Fliess “...o poder de dominação
de Édipo-Rei torna-se inteligível [...]. O mito grego salienta uma compulsão que todos reconhecem por terem
percebido em si mesmos vestígios da sua existência”. (A correspondência completa de Sigmund Freud para
Wilhem Fliess [1887-1904]
, Ed. Imago, RJ), só apareceu descrito como complexo específico em 1910 no capítulo
“Um tipo especial de escolha de objeto feita pelos homens” do artigo Contribuições à Psicologia do Amor (Ed.
Stand. Bras. da Obra Psicológica Completa de S. Freud, vol. XI, ed. Imago, RJ).

Clínica
O complexo de Édipo desempenha um papel fundamental na estruturação da personalidade e na orientação do
desejo humano. É também considerado o complexo nuclear das neuroses.
Freud atribui a este complexo  as seguintes funções: definição quanto a escolha do objeto amoroso; acesso à
genitalidade, na medida em que a simples maturação biológica não o garante, e efeitos sobre a estruturação da
personalidade.
A entrada no complexo de Édipo também modifica o tipo de relação dual dos primeiros anos de vida para uma
relação triangular. Enquanto que a não resolução adequada deste complexo está relacionada com as neuroses,
falhas na relação dual do período pré-edípico ("relações diádicas") parecem estar relacionadas com os fenômenos
psicossomáticos e psicóticos.
Um elemento também presente na trama edípica e com fortes repercussões clínicas é o desejo filicida dos pais,
cujos efeitos psicológicos nos filhos costumam ser traumáticos.

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